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Exposição 'Tupã Baé' em cartaz no Inpa traz arte feita com lixo em grande estilo em Manaus

A artista, publicitária e produtora de TV e rádio, Liduína Moura, comanda a exposição no Inpa, numa tentativa de expressar seu encantamento pela Amazônia

O local da exposição também foi impregnado pela aura mística

O local da exposição também foi impregnado pela aura mística (bruno Kelly)

“Junk art”, do inglês, significa arte de resíduo. De forma mais literal, significa a capacidade de transformar em artigo artístico o que naturalmente seria descartado. Não é um ofício fácil, porém, Liduína Moura já demonstrou possuir a sensibilidade para tanto: até o dia 6 de julho, a artista, publicitária e produtora de TV e rádio comanda a exposição “Tupã Baé - Amazônia em Teatro e Magia” no Inpa, numa tentativa de expressar seu encantamento pela Amazônia no que ela define como um encontro entre sagrado, didático, lúdico e sustentável.

Dentre as tantas facetas da região, Liduína centrou-se na homenagem às divindades regionais – o nome da expo, inclusive, vem do tupi e significa Terra de Deus – reproduzindo-as por meio de lixo urbano (tampas, pinchas, plástico) e orgânico (sementes, cipó, folhas secas, tronco e até restos de comida).

“As divindades são feitas com estes vestígios, eu as monto e as fotografo. E o background é a Amazônia, suas lendas e mistérios, uma terra de deuses, então fiz uma união do deus do negro (Olorum), do índio (Tupã) e do branco (Deus). Trata-se de um encontro de povos e credos”, apontou a artista, a qual reuniu o trabalho em cinco painéis formados por cerca de 60 fotos cada. Os painéis vêm com as respectivas explicações sobre lendas e curiosidades.

E por falar em curioso, dentre as divindades representadas estão algumas que fazem parte de um contexto cultural mais abrangente, além Amazônia: os personagens carnavalescos. A artista conta o motivo de decidir reproduzi-los. “Existe uma aura muito mística envolvendo essas figuras, elas possuem um tratamento análogo a divindades gregas”, aponta.

De volta às raízes


 “Tupã Baé - Amazônia em Teatro e Magia” fez sua estreia em Brasília no ano de 2011, tendo ganhado destaque no Espaço Mário Covas, Anexo 2 da Câmara dos Deputados. Agora a exposição será apresentada pela primeira vez na terra que lhe inspirou. “Em Brasília foi exposta uma versão resumida porque a área era menor. Aqui ela está maior e mais fortalecida porque está no seu berço. E essa exposição também é uma declaração de amor que faço ao Amazonas – não nasci no Amazonas, mas a Amazônia se fez em mim”, diz Liduína.

A artista trabalhou por mais de 10 anos na área do Boi Bumbá. Suas constantes viagens ao interior do estado contribuiram fortemente para modelar “Tupã Baé”. “Essa exposição é um registro e uma espécie de diário de bordo de todos estes anos de trabalho. Hoje está aqui para ser consumida pelo público que gosta de folclore, os amantes da cultura popular”.

Livro a ser lançado

De 2011 para cá, Liduína desenvolveu um item importante que será acrescentado à exposição. Trata-se do livro “Dabacuri - Oráculo da Gastronomia Amazônica”, cujo objeto central é a relação entre a gastronomia e as divindades. ‘Dabacuri’ significa o grande encontro de tribos. “Pensei nas tribos que se encontram e levam o seu melhor prato pensando durante essas festas”, explica. O lançamento está marcado para o dia 12 de junho, durante a exposição.

Para a artista, o principal objetivo de “Tupã Baé” é atentar para a necessidade da reciclagem, atingindo o público com um lado mágico e místico que ronda a Amazônia. “Reciclar não é mais uma opção, é uma necessidade. A gente pode fazer isso valorizando as nossas origens”.