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Fotógrafos do Amazonas integram exibição de fotografia e vídeo na exposição ‘BRICS’

A exposição coletiva reúne uma amostra da expressão de artistas que, tal como os países onde vivem, em relação ao panorama econômico internacional, são eles mesmos emergentes no cenário mundial das artes

Fotografias de Alberto César Araújo enfocam produção e consumo de bens

Fotografias de Alberto César Araújo enfocam produção e consumo de bens (Divulgação)

Artistas dos cinco países que formam o bloco das principais economias emergentes do mundo hoje integram a exposição coletiva “BRICS”, a ser aberta no dia 17, segunda-feira, no Oi Futuro Flamengo, no Rio de Janeiro. Dentre os 22 nomes da mostra, oriundos de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, quatro vêm do Amazonas: os fotógrafos Alberto César Araújo, Raimundo Valentim e Lula Sampaio, e o cineasta Silvino Santos (1886-1970). A mostra é uma realização do Oi Futuro, em parceria com o Instituto Goethe – Instituto Cultural Brasil-Alemanha.

Com foco no vídeo e na fotografia, a “BRICS” reúne uma amostra da expressão de artistas que, tal como os países onde vivem, em relação ao panorama econômico internacional, são eles mesmos emergentes no cenário mundial das artes. “Porque a economia de um país se destaca, outras áreas começam a emergir, dentre elas a cultura. As artes visuais são um segmento que sobressai, e seus artistas ganham visibilidade internacional”, destaca Alberto Saraiva, cocurador da mostra ao lado de Alfons Hug, do Instituto Goethe.

Esse movimento de emergência das artes impulsionado pela economia é recorrente na História, segundo Saraiva. “Isso aconteceu com Nova York, Paris A China sequer existia no panorama das artes. Hoje, ela é um celeiro de grandes artistas contemporâneos. Não é que eles não existiam antes, mas ganharam visibilidade por conta do fator econômico”, explica o curador.

A proposta da “BRICS”, segundo ele, é justamente expor os países do bloco no campo da cultura e da arte. Nesse sentido, obras como a do chinês Chen Chieh-Jen e seus conterrâneos refletem uma nova poética a partir das transformações sociais do país. O mesmo se pode dizer da russa Elena Kovylina, do indiano Vivek Vilasini ou da sul-africana Donna Kukama, para citar alguns nomes.

Registros locais

Do material produzido pelos brasileiros, emergem temas sociais de ontem ainda atuais no Brasil de hoje – exemplo é “No Paiz das Amazonas” (1921), filme de Silvino Santos. Ao lado da produção recente de Paulo Nazareth e Juliana Stein – que integraram a Bienal de Veneza em 2013 –, Cao Guimarães e Romy Pocztaruk, as fotos de Alberto César Araújo e Raimundo Valentim evocam aspectos do desenvolvimento industrial e do consumo em Manaus.

As fotografias de Araújo, por exemplo, dividem-se entre trabalhadores do Distrito Industrial (das empresas Harley-Davidson e Jabil) e carregadores da Manaus Moderna, na zona portuária da cidade, num registro da produção ao consumo de bens. As imagens incluem registros recentes. “Fui à Manaus Moderna na véspera do Natal passado, e o que tinha de gente embarcando nos navios com TVs de LED de 40, 50 polegadas não estava no gibi”, diz.

As fotografias de Valentim para a “BRICS” também trazem imagens do DI. “Quando se fala em países emergentes, você fala em desenvolvimento industrial, tecnologia, pesquisa”, declara ele, que focou no aspecto humano da produção industrial: “Mostro um lado mais humano dos operários, apesar de trabalharem em linhas de produção”.

Maior visibilidade

Com outras exposições no currículo, Araújo e Valentim são exemplo da visibilidade que a fotografia, do Amazonas em particular, vem alcançando. “O momento que a fotografia amazonense vive é maravilhoso. Temos grandes profissionais com trabalhos reconhecidos lá fora, em prêmios como Esso ou World Press”, aponta Valentim.

Araújo, oriundo do fotojornalismo como Valentim, destaca o reconhecimento do gênero documental. “Isso sempre existiu fora do Brasil, e vem acontecendo aqui de uns tempos para cá”, opina. “Acho que o espaço da galeria sempre pertenceu ao fotojornalismo”.

Saraiva, que é amazonense, assinala a importância da inclusão de nomes locais na “BRICS”, tanto pelo seu peso no universo da arte contemporânea quanto a pela perspectiva da mostra chegar a outras cidades do Brasil e ao exterior: “A inclusão de fotógrafos do Amazonas na mostra pode abrir portas para o trabalho deles, inclusive internacionalmente”.