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Louças e cardápios do século 19 resgatam ‘clima’ de império

Acervo com 130 preferências gastronômicas compõe obra "Os Banquetes do Imperador". Escritores e chefs Francisco Lellis e André Boccato selecionaram menus de almoços e jantares oficiais dos tempos de império

Coleção “Império”, de Tania Bulhões

Coleção “Império”, de Tania Bulhões (Divulgação)

Dom Pedro II tinha um hábito peculiar, desconhecido ainda hoje por muitos brasileiros: o último monarca do País colecionava com entusiasmo os menus dos almoços e jantares oficiais. Parte desse acervo, reconhecido como patrimônio histórico pela Unesco, foi reunido pela primeira vez em livro pelos escritores e chefs Francisco Lellis e André Boccato. “Os Banquetes do Imperador” traz uma seleção de 130 cardápios do século 19 que chamam a atenção pela riqueza de detalhes e abundância de palavras em francês.

Segundo Lellis, os menus revelam principalmente as preferências gastronômicas das senhoras da realeza, como a imperatriz e as princesas. “O imperador era homem de pouco luxo e pouco se interessava por comida. Todos os banquetes que frequentou foram por obrigação política de ‘representação’. Ainda assim, temos vários cardápios que supomos terem sido refeições dele durante viagens de trem, em hotéis, restaurantes, palácios estrangeiros e cidades do interior do Brasil”.


O autor destaca que “Os Banquetes do Imperador” não é propriamente um livro de receitas. “Não apresentamos receitas detalhadas, mas ilustramos o livro com fotos das louças da família imperial com algumas receitas que citamos, copiadas dos principais livros de culinária do período”.

Ele conta que o peru assado e o presunto York, então sinônimos de fineza, não podiam faltar nos menus brasileiros de meados do século 19. “Há também algumas poucas receitas de pratos regionais brasileiros, como o ‘chorrasco à gaucha’, a ‘feijoade’, o ‘vatapa de porco’, as ‘empadinhas’, ‘doces cristalizados’ e o ‘bolo de mandioca e de café’”. Outra iguaria muito servida no tempo do monarca é a dos “oeufs florentins”.

MUDANÇA DE HÁBITO

O livro de Lellis e Boccato também oferece diversas pistas de como a gastronomia francesa influenciou a cozinha tupiniquim. “Influenciou inclusive na criação de pratos que consideramos tipicamente nacionais, como a empadinha (‘petit pâté’, em francês) e muitos outros pratos que imitaram ou adaptaram receitas e combinações francesas aos nossos alimentos e a nossos instrumentos de cozinha”, revela Lellis.

Nossa mesa nacional de hoje, na visão dele, é uma “apetitosa mistura que tem tudo de novo em sua forma, apoiada na tradição de muitas tradições”. “Alguns hábitos locais como comer farinha durante as refeições se tornaram comuns, ao mesmo tempo em que adaptamos hábitos da aristocracia europeia”.

LOUÇA IMPERIAL


No início do mês, o livro “Os Banquetes do Imperador” dividiu os holofotes com o lançamento da nova coleção de louças da designer Tania Bulhões, em São Paulo. As peças foram produzidas com exclusividade em Limoges, na França, cidade conhecida pela qualidade da sua porcelana. Batizada de “Brasil Império”, a linha traz releituras dos brasões da coroa brasileira, além de detalhes de renda em ouro.

O novo conjunto de Tania é completo, com sousplat, set de jantar, prato de pão e xícaras de chá e de café. A coleção pode ser encontrada nas lojas da designer no Rio e São Paulo e também pelo e-commerce da marca, com cobertura para todo o País.