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Maria Bethânia realiza show ‘Carta de amor’ em Manaus

Cantora fala das memórias do Amazonas, Copa do Mundo e também dos novos e futuros trabalhos durante conversa exclusiva com a reportagem de A Crítica

Espetáculo leva o nome de um texto escrito pela baiana: “Carta de amor”

Espetáculo leva o nome de um texto escrito pela baiana: “Carta de amor” (Reprodução )

“Você viu os alemães reverenciando os pataxós? Foi a coisa mais bonita da Copa. Se ela teve algum valor, foi esse”. Quem comenta a comemoração dos novos campeões mundiais do futebol, no Maracanã, é dona Maria Bethânia Viana Teles Velloso, 68, bisneta de uma índia pataxó do Recôncavo Baiano. Em conversa exclusiva com a reportagem, a cantora falou sobre o show “Carta de amor”, que ela apresenta em Manaus no próximo dia 31, no Dulcila, e também sobre o seu álbum mais recente, “Meus quintais”, no qual ela fez a sua própria reverência aos povos do Brasil e aos índios, que considera os verdadeiros “donos da terra”.

“Carta de amor” vem do disco “Oásis de Bethânia”, lançado pela baiana em 2012. O roteiro do show, que marca a última colaboração entre ela e o mestre Fauzi Arap, morto no ano passado, é um mix de músicas do último CD (“Casablanca” e “Barulho”, de Roque Ferreira), clássicos gravados pela cantora (“Negue” e “Fera ferida”) e canções inéditas na sua voz (“Não enche”, do irmão Caetano Veloso, é uma delas). Por trás disso tudo, está o amor em suas diversas facetas: o maduro, o inconstante, o traído e o eterno.

O show também assinala uma mudança de sonoridade para Bethânia, que convidou o maestro Wagner Tiso para assumir o posto de diretor musical no lugar de Jaime Alem, que acompanhou a cantora durante 30 anos. “‘Oásis’ é um disco de muita potência, por isso queria que cada faixa tivesse um arranjador diferente. Como no palco não existe essa possibilidade, eu precisava de um maestrão. Então chamei o Wagner, que é um músico extraordinário e uma pessoa que admiro desde que cheguei ao Rio”, conta.

Para ela, que não se dobra a modas ou pressões, a nova experiência reafirma o seu desejo de fazer uma música mais enxuta e intimista. “Sou fora de linha, não consigo me encaixar em área nenhuma. Desde sempre escolhi essa coisa mais teatral, de intérprete mesmo, com diretor de teatro e cenografia. Sou muito solitária no que faço, e isso é coisa do interior, de quem nasceu em cidade do Recôncavo”, pondera a artista, mais afeita ao ambiente caseiro que à agitação urbana.

DE VOLTA AO QUINTAL

Talvez por isso Bethânia fez do novo disco, “Meus quintais”, um trabalho atravessado por suas memórias no quintal da mãe, Dona Canô, a quem ela dedica os versos de “Dindi”. “Acho o quintal o melhor lugar do mundo, é onde se aprende tudo”, afirma. No álbum, que chegou às lojas no mês passado, ela dá voz à “Lua bonita”, que era cantada pela genitora, e dedica “Folia de reis” ao irmão Rodrigo, de 80 anos.

Mas é o índio e o imaginário caboclo que aparecem em mais de uma faixa, como “Xavante” e “Arco da velha índia”, de Chico César, e “Uma Iara”, de Adriana Calcanhotto. “É um assunto que me comove e me deixa atônita ao mesmo tempo, principalmente quando ouço dizer que mais uma reserva foi invadida. Somos todos pardos, eles é que são a raça brasileira. Sou intérprete, minha missão é essa, interpretar o que eu sinto”, justifica.

Por tudo isso, “Meus quintais” acaba se aproximando de “Brasileirinho”, trabalho lançado em 2003. “Com ‘Brasileirinho’ eu fiz uma leitura de como eu entendia o nosso povo, com suas devoções e festejos. Já ‘Meus quintais’ é uma viagem mais pessoal, onde falo da minha ancestralidade, minha memória feliz por ter tido a graça de viver num quintal com uma família extraordinária e Caetano me ensinando tudo”, afirma a cantora.

COMEMORAÇÃO

Com 68 anos comemorados em junho, Bethânia já pensa no próximo show, que estreará em janeiro de 2015 para marcar os seus frutíferos 50 anos de carreira. Segundo ela adianta, o repertório de “Meus quintais” deve entrar como um contraponto nesse espetáculo, onde o destaque serão as pérolas musicais que ela colheu em meio século de trabalho nos palcos e estúdios. “Tenho muito orgulho dessa carreira e sou grata a todos que me ouvem e me carregaram até aqui. Vai ser um show sincero. Também vou dançar para os pataxós...”, diz, risonha.

Trono para a ‘Rainha’

Bethânia guarda com carinho as lembranças da primeira vez em que esteve no Amazonas, cerca de 30 anos atrás. “Estar nesse pedaço do Brasil para mim tem uma força muito grande, o céu é aí. Lembro que me hospedei num hotel na beira do rio e fiquei muito pirada com aquilo, de dia, de tarde e de noite. Meu quarto era numa cobertura a céu aberto e eu pensei: ‘Já que estou na Amazônia, vou aproveitar para admirar essa noite’. Não consegui dormir e, quando amanheceu, descobri que o pessoal da equipe também não”, conta ela, que largou o cigarro durante essa viagem.

No dia seguinte, ela e a irmã foram passear de barco para conhecer o Rio Negro e tiveram uma recepção “tempestiva” das forças da natureza. “Vinte minutos depois ouvimos um barulho, olhei para trás e caiam raios e trovões. Enquanto eu, felicíssima, saudava minha santa e meu orixá, minha irmã gritava pedindo para voltarmos, afinal estávamos no meio do rio!”, relembra, aos risos.

A “Abelha Rainha” também é apaixonada pelas obras do artista amazonense José Alcântara, escultor de madeira, tanto que já perdeu as contas de quantas tem em sua casa, povoada por onças e leoas. “Alcântara é um gênio. Uma vez, encomendei a ele um banco que é um dos objetos que mais amo na vida. Mas ele acabou fazendo um trono onde ninguém tem coragem de sentar, porque é muito poderoso. Nem eu sento”.

Serviço

O quê: Rio Samba Show apresenta “Carta de amor”, com Maria Bethânia

Quando: 31 de julho, às 21h

Onde: Dulcila Festas e Convenções, Ponta Negra

Quanto: R$ 220 (os vouchers devem ser trocados até o dia 18 na Way Shop do Manauara)