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Produtora e roteirista Rita Buzzar apresenta laboratório cinematográfico em Manaus

Rita ministra workshop na cidade a partir desta quinta-feira (22). Na oficina, ela falará sobre criação de sinopses, roteiros, produção de filmes e outros temas

Rita durante as filmagens de “Budapeste”, que roteirizou e produziu

Rita durante as filmagens de “Budapeste”, que roteirizou e produziu (Bob Wolfenson/Divulgação)

O nome de Rita Buzzar pode não ser muito conhecido entre o grande público, mas seus trabalhos com certeza são: a produtora, diretora e roteirista paulista esteve por trás de sucessos do cinema e da TV, da novela “A história de Ana Raio e Zé Trovão” (1990) a filmes como “Budapeste” (2009) e “Olga” (2004), este visto por mais de 3 milhões de pessoas. Rita divide sua experiência com realizadores e estudantes de audiovisual de Manaus, no projeto “Workshops Vivo EnCena: Laboratório Cinematográfico”, que acontece de hoje até sábado, no Centro Cultural Palácio Rio Negro.

Na oficina em Manaus, Rita falará sobre criação de sinopses e roteiros, produção de filmes e outros temas, tomando como exemplos alguns de seus trabalhos no cinema, como “Olga”, “Budapeste” (2009) e o mais recente “O tempo e o vento”, produzido por ela e dirigido por Jayme Monjardim. Sobre essa experiência, ela confessa: “Foram filmes árduos”.

“Principalmente ‘O tempo e o vento’. Realmente hoje não sei se compensa fazer uma produção deste porte, porque dificilmente um filme brasileiro alcança bem e com rentabilidade real o mercado internacional. E um filme deste porte precisa do mercado internacional”, ela conta, em entrevista por email à reportagem.

Produção nacional

Falando em cinema nacional, a reportagem pergunta à Rita se ela concorda que o roteiro é uma das principais deficiências no segmento, como se ouve dizer. A roteirista de “Olga” reconhece a importância da formação de roteiristas, mas considera que o problema vai além do texto: “Penso que precisamos tornar a etapa chamada ‘desenvolvimento de projeto’ mais importante do que é considerada hoje (...) No Brasil, ainda temos a inclinação de pensar que tudo que é desenvolvido deve ir para produção. Às vezes, é justamente no desenvolvimento que podemos ter a certeza que um determinado projeto não deve decolar”.

Problemas à parte, Rita considera que a produção de cinema no País vem se diversificando. “A comédia conquistou seu público, temos desenvolvido alguns projetos policiais, de suspense, e isso é muito importante. A animação brasileira vem crescendo e conquistando seu espaço. Há dez anos, só tínhamos quase dramas”, comenta.

Adaptações

Rita vai dedicar parte da oficina para falar sobre o processo de adaptação de livros para o cinema. O maior desafio nesse trabalho, ela afirma, é “não perder a essência do livro, da história e das personagens”. Ela toma “Olga” como exemplo: “Uma das maiores dificuldades foi tornar claro para um público maior quem era Olga Prestes e sua história”, recorda ela, que enfrentou a descrença geral com o projeto. “As pessoas diziam que o filme não levaria nem 5 mil pessoas ao cinema, porque ninguém estaria interessado em uma mulher comunista e judia”, conta ela, que acabou rindo por último. “O filme teve 3 milhões de espectadores”.

A roteirista acrescenta que foi difícil evitar expor algumas questões de forma didática no filme : “Acho que foi necessário porque contribuiu para o sucesso do filme frente ao público. E um dos objetivos era justamente tornar Olga mais conhecida”.

Já “Budapeste”, dirigido por Walter Carvalho, ela conta, foi outro desafio. “Todos os inimigos do personagem José Costa, criado por Chico Buarque, estão dentro da cabeça dele, não fora”.

E que conselhos Rita deixa para quem quer se dedicar à criação de roteiros e à produção audiovisual? “Ler muito, ver filme, participar de workshops como esse. E ter uma fé, ao mesmo tempo resistente mas não cega às críticas, em seu projeto”. “É certo que não existem fórmulas, mas há experiências que podem ser compartilhadas. E talvez assim, quando um profissional, seja ele iniciante ou não, se perceber diante de um desafio (...) não se sinta tão só. É pelo menos reconfortante saber que outros já passaram por coisas que você está passando”, conclui.