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Pela primeira vez no Brasil, revista ‘Luluzinha’ apresenta personagem gay

Depois de ter entrado para a história da televisão brasileira, a polêmica agora migrará para outro universo: o dos quadrinhos. Nos Estados Unidos a abordagem já é considerada bem mais comum

Na trama, o personagem Fábio tem de lidar com pais que não aceitam sua condução

Na trama, o personagem Fábio tem de lidar com pais que não aceitam sua condução (Divulgação)

O frisson causado pelo aguardado beijo gay entre os personagens Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), de “Amor à vida”, reacendeu o antigo tabu das relações homoafetivas em produções nacionais. Agora, depois de ter entrado para a história da televisão brasileira, a polêmica migrará para outro universo: o dos quadrinhos. A 57ª edição da revista “Luluzinha teen e sua turma”, já nas bancas, apresenta o seu primeiro debate em torno do tema.

No gibi, o personagem Edgar, um dos amigos da protagonista, namora Fábio, que está passando por maus bocados devido à intolerância de seus pais. O problema só aumenta quando o casal decide ir atrás do filho no evento “Anime festa 2014”, organizado por Luluzinha na escola onde estudam. A história “pega fogo” e todos, de certa forma, procuram aconselhar os pais do jovem – que se mostram irredutíveis e preconceituosos com a situação, principalmente em se tratando de Fábio.

Aliada a uma narrativa bem atual, a edição procura, por meio de seus personagens, alertar e conscientizar os leitores mais novos quanto aos verdadeiros valores e atitudes que deveriam ser transmitidos ao próximo. O episódio marca também o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo numa revista para adolescentes.

SUPER-HERÓIS


Enquanto que no Brasil a temática gay deu os seus primeiros passos numa página de HQ, nos Estados Unidos a abordagem é bem mais comum. Em “X-Men”, por exemplo, o mutante Estrela Polar, integrante da Tropa Alfa, saiu do armário em 1983 (quatro anos após a sua estreia nos quadrinhos). A demora para o anúncio se deu pelo fato de que, na época, existia um rigoroso código de conduta dentro da Marvel, uma espécie de censura disfarçada.

A história do herói engrenou e, na 51ª edição da revista “Os fabulosos X-Men”, ao lado do namorado de muitos anos, Kyle, movimentou o primeiro casamento homoafetivo dos gibis. Na ocasião, o chefe da empresa de HQs, Axel Alonso, disse que o episódio ia de encontro com a legalização da união entre pessoas do mesmo sexo na cidade de Nova York. “A maioria dos nossos heróis reside aqui (NY), obviamente que uma série de questões foi levantada. Estrela Polar é o primeiro personagem abertamente gay nos quadrinhos e tem uma relação antiga com seu namorado Kyle. Portanto, a pergunta que surgiu foi: como isso iria transformar a relação deles?”, acrescentou.

Além do mutante, outros heróis mais conhecidos do grande público também já tiveram seus nomes ligados a histórias com a temática. Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde da DC Comics, foi recriado pela editora e apresentado como um gay que estava prestes a pedir a mão do namorado, Sam. O romance, no entanto, tomou um rumo completamente diferente do de Estrela Polar: logo após o pedido de casamento, o namorado do herói morreu num acidente de trem.

Mais recentemente, Wolverine também protagonizou um beijo em outro personagem do mesmo sexo, o semideus Hércules. O evento se deu no 14º volume da “X-Treme X-Men”, onde os mutantes vivem num universo alternativo. A cena acontece na Grécia Antiga, sob os dizeres “Somos os melhores heróis do nosso mundo. E, no dia em que derrotamos o pior monstro que já ameaçou o Dominion of Canada, revelamos nosso amor”.

POLÊMICA

Não foram apenas os homens que se assumiram nas HQs, algumas super-heroínas também “saíram do armário” ao longo dos anos. Entre elas, talvez a mais conhecida seja a Batwoman. Assim como no caso do Lanterna Verde, a personagem original passou por uma reformulação e foi apresentada como uma combatente do crime lésbica. Porém, os diretores da DC Comics chegaram a vetar um casamento gay entre a heroína e a namorada Maggie Sawyer, o que resultou na demissão dos roteiristas J.H. Williams III e W. Haden Blackman. “O herói não devia ter uma vida pessoal feliz. Quando se comprometem a ser herói e a defender os outros, eles sacrificam o que é pessoal”, defendeu o Publisher da empresa, Dan DiDio.