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‘Rumos Itaú Cultural’ anuncia 104 projetos selecionados em sua nova edição

A lista de contemplados, anunciada nesta segunda-feira (26), inclui o projeto 'Um lugar para todas as artes', da associação cultural amazonense Casarão de Idéias

O Mova-se Festival está incluído no projeto contemplado do AM

Casarão de Ideias: O Mova-se Festival está incluído no projeto contemplado do AM (Arquivo AC/Divulgação)

Cento e quatro projetos de 20 Estados mais o Distrito Federal, Espanha e Argentina, foram selecionados para participar da nova edição do Rumos Itaú Cultural. A lista de contemplados, anunciada nesta segunda-feira (26) na sede da Instituto Itaú Cultural, inclui o projeto “Um lugar para todas as artes”, da associação cultural amazonense Casarão de Idéias. Ao todo, o edital recebeu mais de 115 mil inscrições para iniciativas de todos os segmentos artísticos, em diversas modalidades, como produção de obra, pesquisa, circulação e crítica.

O projeto “Casarão de Idéias: Um lugar para todas as artes” visa a manutenção das atividades artísticas realizadas pela associação cultural nos últimos quatro anos. Aí se incluem a quinta edição do Mova-se Festival: Solos, Duos e Trios, a segunda edição do projeto “Cênicas autorais”, e a terceira edição do projeto “Lugares que o dia não me deixa ver”. As ações, que serão realizadas no período de junho deste ano até junho de 2015, contemplam as áreas de articulação, documentação, formação, pesquisa, publicação e oficinas, entre outras.

NOVO FORMATO


Em sua 16ª edição, o Rumos Itaú Cultural apostou num novo formato de seleção pública, mais abrangente e menos burocratizado, contemplando novos experimentos e propostas. Segundo Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, o objetivo foi o de permitir que artistas, produtores e criadores revelassem seus reais desejos e necessidades.

“O modelo tradicional de editais proposto no País vicia a demanda cultural, com os proponentes fazendo projetos escrevendo o que os editais pedem, até já antecipando a mentalidade das comissões. Conseguimos descaracterizar esse processo, garantindo não só o espaço democrático, mas também que o criador tivesse a voz final sobre o seu projeto”, declarou ele.

Além do edital, o processo incluiu a itinerância de integrantes da comissão de seleção por diversos Estados. Entre eles o crítico de teatro Valmir Santos, que se reuniu com artistas para divulgar a seleção pública em Manaus e em Rio Branco. “Isso nos deu a oportunidade de saber mais e conhecer a situação real de artistas e produtores em suas localidades”, salientou ele.

O processo de análise dos 15.120 projetos inscritos se deu em diversas etapas, com avaliação por diversos integrantes de uma comissão multidisciplinar composta por gerentes do Itaú Cultural e convidados, entre críticos e especialistas. Qualidade, inovação e originalidade foram os principais parâmetros de análise, segundo Ana de Fátima Souza, gerente de Comunicação do instituto e integrante da comissão. Cada projeto passou por pelo menos três integrantes, para garantir a legitimidade das propostas, segundo a gerente: “Isso que garantiu visibilidade a projetos que, em outras comissões, não teriam chance”.

TENDÊNCIAS E DIFERENÇAS

Como muitas iniciativas do Itaú Cultural, a nova edição do Rumos contribui também num mapeamento da cena cultural brasileira, em termos de produção e de tendências. O resultado da seleção, por exemplo, evidencia a centralização da produção no Sudeste – São Paulo e Rio de Janeiro encabeçam a lista em número de inscrições e projetos aprovados. A disparidade, aponta a comissão do edital, resulta de fatores diversos, do vício do formato tradicional de editais às falhas nas políticas públicas de incentivo à cultura.

“Se existem gaps (vazios no resultado da seleção), são gaps da produção cultural brasileira mesma”, reconhece Ana de Fátima. “Percebemos muitas propostas que tentavam repetir os modelos tradicionais de editais, o que não queríamos. O que buscamos era exatamente permitir ao criador/produtor descolado para conquistar esse espaço, sem propor o que nós estamos procurando, mas o que ele quer fazer”, declarou Saron.

A deficiência na elaboração dos projetos, por outro lado, por vezes apontada como entrave à participação de produtores de regiões como o Norte em editais, não foi detectada como problema no Rumos. “Não reconhecemos a dificuldade na escrita dos projetos como particular de regiões ou Estados específicos”, afirmou Sonia Sobral, integrante da comissão.

Essas e outras avaliações do resultado do Rumos, em seu novo formato, deverão guiar as diretrizes do próximo edital da iniciativa, segundo Saron. “Somos uma das poucas instituições que têm amostragem de peso para falar dos desejos do cenário cultural brasileiro. Isso vai nos dizer para onde vai o próximo edital do programa”, afirma. A nova edição do Rumos Itaú Cultural, complementa ele, deverá ser lançada no ano que vem.

* O jornalista viajou a convite do Instituto Itaú Cultural