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‘A maior influência fomos nós mesmos’, diz guitarrista da banda Fresno em entrevista

Guitarrista da banda Fresno, Vavo, fala a A CRÍTICA sobre o novo EP da banda intitulado ‘Eu sou a maré viva’, trabalho que mostra as novas direções do grupo

Gustavo Mantovani , ou simplesmente Vavo, é um dos fundadores e guitarrista da banda Fresno desde sua formação inicial, em 1999

Gustavo Mantovani , ou simplesmente Vavo, é um dos fundadores e guitarrista da banda Fresno desde sua formação inicial, em 1999 (Divulgação)

Em entrevista exclusiva ao BEM VIVER, Vavo, o guitarrista da banda gaúcha Fresno, falou sobre o novo CD da banda, “Eu Sou a Maré Viva”, trabalho com apenas cinco faixas, que mostra as novas direções do som do grupo. Se antes, a Fresno (tratada pelo artigo feminino) era um expoente do rock romântico, de tendência “emo”, o que o novo trabalho mostra é uma banda cada vez mais afiada, apostando num instrumental elaborado e claramente influenciada pelo rock progressivo dos anos 1970.

Mostrando a evolução dos músicos – entre os quais o novo baterista, Thiago Guerra, que entrou para a Fresno em agosto do ano passado –, “Eu Sou a Maré Viva” foi composto em um processo pouco usual, com a banda se isolando em um sítio próximo à represa de Igaratá, no interior de São Paulo, e as novas faixas – principalmente “Manifesto”, com a participação de Lenine e Emicida, e “Icarus”, a faixa de encerramento – refletem esse “mergulho” nas novas influências .

A banda foi formada em 1999, em Porto Alegre, e é composta por Lucas Silveira (guitarra e vocais), Gustavo Mantovani, o Vavo (guitarra), Márcio Camelo (teclado) e Thiago Guerra (bateria). Os rapazes já lançaram seis álbuns de estúdio e três EP’s, incluindo o novo trabalho. Confira:

Bem Viver – Em primeiro lugar, gostaria de saber o que influenciou na construção desse novo som, além da evolução natural dos músicos.

Vavo: Bom, sem desmerecer os sons que a gente, claro, tem ouvido, posso dizer que a maior influência que nós tivemos nesse trabalho fomos nós mesmos. Porque o processo desse disco foi diferente de qualquer outro que a gente já tenha feito. Fomos para um sítio isolado, só com rascunhos das músicas, e tentamos nos desligar de tudo. Nossa ideia era apenas tocar, mostrar novas ideias, e as faixas foram nascendo dessa interação. Isso também exclui influências externas – a gente não levou nenhum CD pro sítio, a única música que tinha era a que nós mesmos tocávamos. Mas continuamos ouvindo de tudo, de coisas antigas, tanto o Queen, que foi uma influência importante nesse disco, quanto o Muse, igualmente inspirador para os arranjos.

BV – Como foram as colaborações com Lenine e Emicida, e como se deu a escolha desses dois nomes para tocar em “Manifesto”?

Vavo: Essa é uma história legal. O Thiago Guerra, novo baterista, é de Recife, e mega fã do Lenine. Quando o Lucas (Silveira, vocalista) chegou com o esboço da música “Manifesto” (segunda faixa do EP), o Thiago ouviu e falou na hora: “isso é a cara do Lenine!”. A gente achou a sacada super legal. Nós fomos a uma gravação com Chitãozinho e Xororó na Record, e, por coincidência, o Lenine também estava lá, aí rolou o convite, ele se empolgou e acabou gravando com a gente. Sobre o Emicida, tinha uma passagem nessa música que é instrumental, e o Lucas teve a ideia da gente botar um rap, aí a gente chamou o Emicida, que é brother nosso, já esteve várias vezes com a gente. Deu certo, tanto que essa é a música do novo álbum que está gerando a maior resposta dos fãs.

BV – Gostaria de saber se a pegada mais virtuosística da banda nesse novo disco tem a ver com a chegada do Thiago Guerra. Vê-se que ele já está muito bem entrosado com o grupo.

Vavo: Cara, posso dizer que a maior influência do Thiago nesse disco foi a própria ideia de gravar em um sítio isolado. Foi ele quem mais botou pilha nessa proposta. E tocar com ele é sempre uma experiência, porque o Thiago é um músico fantástico. Tem um trecho de “À Prova de Balas” que é quase um baião, uma coisa que ninguém esperaria ouvir em um disco nosso, e veio justamente de uma levada que o Thiago fez. Os fãs têm reparado a mudança no estilo de bateria desse CD, pra tu ver a personalidade que o Thiago traz pra tudo que ele toca.

BV – Dentre as várias vertentes do “Eu Sou a Maré Viva”, queria saber se alguma delas dá uma pista do que a banda vai fazer em seguida, se algum dos caminhos apontados no EP empolgou mais os músicos.

Vavo: A gente tem o costume de “zerar” as cabeças quando termina um disco, pra começar tudo de novo a cada projeto. Dessa vez, foi a mesma coisa. Acabamos de lançar o “Eu Sou a Maré”, então, estamos pensando na turnê, em apresentar o disco pros fãs, e não em músicas novas. Mas uma coisa que com certeza empolgou a gente é esse lance das parcerias, a gente vai querer isso de novo. Mas, sobre músicas novas, ainda é muito prematuro pra dizer.

BV – Desde “Revanche” (2010), os músicos perseguiram vários projetos paralelos, e isso teve influência nos novos trabalhos. Eu gostaria de saber como os membros conciliam o trabalho principal com a Fresno em meio a esses projetos.

Vavo: Bom, a Fresno é a maior prioridade de todo mundo. O Lucas tem uma banda nova, a Beeshop, que tem uns onze músicos, é quase uma big band, tem um projeto de música eletrônica, o Guerra também tem os seus, o Márcio (Camelo, tecladista). Mas eles sempre acontecem nos intervalos dos compromissos da Fresno, se a gente, por exemplo, participa de um festival em que o Lucas também pode se apresentar como DJ, nessa base. A banda é tudo pra nós, e nossa dedicação, 100%, é com ela.

BV – Queria saber também se a mudança no som tem se refletido na resposta do público, se os fãs que a banda ganhou na época do “Ciano” (2006) e do “Redenção” (2008) têm acompanhado esse amadurecimento.

Vavo: Uma das melhores coisas da Fresno é ter mantido a nossa base de fãs ao longo de todos esses anos. Não é fácil. Quando você só tem dois discos, o primeiro vai ser comparado com o segundo, se tiver três, com os dois primeiros, mas, conforme a carreira avança, você tem essa obrigação de se manter relevante, de não cair na preguiça, na repetição. E acredito que nós temos conseguido. A aprovação aos últimos trabalhos tem sido praticamente unânime, mesmo – aliás, talvez principalmente – entre os fãs mais antigos. E a gente vai continuar a manter esse contato, essa troca.

BV – Como a banda tem avaliado a mudança pro esquema independente de distribuição, e qual saída vocês veem pra chegar ao grande público sem a estrutura de uma grande gravadora, ou da MTV, que foi uma das principais plataformas para a Fresno chegar ao estrelato?

Vavo: Com certeza, foi um momento muito importante da nossa carreira. Nós demos duro, tocamos por todo o país, conseguimos chegar ao auge no underground antes de dar o próximo passo. A entrada na Universal, em 2007, 2008, nos fez aprender muitas coisas, a gente apareceu na MTV, ganhamos uma projeção enorme. Mas depois o negócio mudou, a satisfação em fazer as coisas não era mais a mesma. Foi a hora em que a banda, com muita tranquilidade, resolveu assumir a responsabilidade, tomar as próprias decisões. Fizemos tudo no underground, fizemos tudo em uma gravadora, agora usamos esse aprendizado no independente. É muito recompensador. Fazer todo o trabalho nós mesmos dá outra dimensão do negócio da música, valorizamos muito mais o resultado final.

BV – Por fim, há expectativas para apresentar o novo trabalho em Manaus?

Vavo: Sim, muitas. A última vez que nós tocamos aí faz uns dois anos, mas já fizemos uns 26 shows na cidade, temos um público fiel, que sempre recebe a gente com empolgação. A gente já iniciou a turnê, tem datas em SP, Rio de Janeiro, Porto Alegre, no Nordeste, e vamos atrás de oportunidades pra trazer o “Eu Sou a Maré Viva” a Manaus, com certeza. Nos aguardem!