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Escola Jack’s Cartoon celebra cartunistas que satirizam o regime militar com exposição

A exposição “O golpe contra a democracia” está sendo realizada desde o dia 1º de abril e vai até o dia 26, no Espaço Cultural Ziraldo

Um dos destaques da mostra é a exposição de 50 exemplares originais de “O Pasquim”, jornal carioca que foi um marco da resistência bem-humorada ao regime militar

Um dos destaques da mostra é a exposição de 50 exemplares originais de “O Pasquim”, jornal carioca que foi um marco da resistência bem-humorada ao regime militar (Divulgação)

A arte da charge nasceu ligada à política. No Brasil, o primeiro desenho publicado, em 1836, de autoria de Manuel de Araújo Porto-Alegre, mostrava o dono do jornal Correio Oficial, Justiniano Rocha, recebendo propina do governo.

O uso de lápis e pincéis para ridicularizar o poder, então, já tem uma tradição mais do que estabelecida no país, e em nenhum momento essa arte foi tão necessária quanto nos “anos de chumbo”, o período entre 1964 e 1985, quando a ditadura militar deu as cartas no Brasil.

Para relembrar os grandes nomes desse período – não só os desenhistas, mas também os jornais que os publicavam, alguns dos quais se converteram em verdadeiras trincheiras contra o regime, como o semanário carioca “O Pasquim” –, o Espaço Cultural Ziraldo, na Escola Oficina de Arte Jack’s Cartoon, promove desde o dia 1º a exposição “O golpe contra a democracia”.

O acervo é composto por obras de nomes antológicos da charge brasileira: Henfil – criador de personagens imortais, como a Graúna e Ubaldo, o Paranóico –, Aroeira e Fortuna, colaboradores clássicos de “O Pasquim”, J. Bosco (de “O Liberal”, do Pará), e muitos outros. Alunos da escola também contribuíram com novos trabalhos sobre a situação atual do País, ironizando, entre outras coisas, as eleições para presidente e o problema da pedofilia no Amazonas.

“O cartum era uma forma de resistência sutil. Enfrentava a realidade, denunciava a opressão, mas tudo isso com humor, com leveza, mesmo quando o assunto era a tortura ou a fome no Nordeste. Eram verdadeiros guerrilheiros, à sua maneira, e me orgulho de fazer parte desse time”, conta Jackson Chaves, o Jack Cartoon, também responsável por várias charges de inspiração política.

Outra atração da mostra são os 50 exemplares originais de “O Pasquim”, o jornal semanal fundado por grandes nomes da imprensa carioca, entre os quais os cartunistas Henfil e Jaguar, e responsável por alguns dos principais embates entre a imprensa e a censura nos anos 1970. “Estamos tendo uma resposta muito positiva, de gente que está conhecendo agora essa tradição de resistência, de combate à injustiça, e vê que na arte é possível um caminho, uma forma de manifestação”, afirma Jack. A exposição fica aberta até o dia 26 de abril.

Salão de humor

No mesmo clima, Jackson prepara outra iniciativa para bagunçar o coreto: o 2º Salão Internacional de Humor, com abertura prevista para 2 de junho, bem às vésperas da Copa do Mundo . “É uma janela para escapar do ufanismo, do clima de ‘o Brasil é perfeito’, e mostrar que há problemas sérios por aqui, mas que um dos caminhos para enfrentar esses mesmos problemas é o humor, que é o espírito por trás de qualquer charge”. Inscrições de novas obras podem ser feitas até o dia 7 de maio pelo site http://oficinadeartejackcartoon.blogspot.com.br/.

Como se vê, é uma tradição que está mais viva – e provocativa – do que nunca.