Composições marcadas pela calma e pela leveza, usualmente dedicadas a amantes ou outras pessoas queridas, as serenatas são o foco do concerto que a Orquestra de Câmara do Amazonas (OCA) apresenta nesta sexta-feira, dia 4, às 20h, no Teatro Amazonas. O espetáculo, que vai reunir peças de Elgar, Mozart e Tchaikovsky, terá regência do maestro convidado Nurhan Arman. O concerto faz parte da sétima temporada da Série Guaraná, com patrocínio da Ambev. A entrada é franca.
No programa do concerto estão a “Pequena serenata noturna”, do austríaco W.A. Mozart (1756-1791); a “Serenata para cordas op. 20”, do britânico Ed- ward Elgar (1857-1934); e a “Serenata para cordas op. 48”, do russo Piotr Ilitch Tchaikovsky. Esta última, na visão de Arman, é a peça mais importante do programa.
“Ela tem muitos pontos em comum com a obra de Mozart, numa homenagem dele ao austríaco. E o Tchaikovsky, que dificilmente gostava do que fazia, mencionava em cartas que ela era sua composição preferida. É também uma das últimas peças dele, escrita três anos antes de morrer, como um presente para sua irmã na Ucrânia”, destaca o maestro.
Desafiadoras
Ambas as serenatas de Mozart e Tchaikovsky, de acordo com Arman, são desafiadoras em termos técnicos. “Mozart é sempre mais difícil. Sua música é tão transparente e universal, e pode ser tocada de formas tão diferentes, que pode ser um desafio conseguir uma unidade entre os instrumentistas. A peça de Tchaikovsky, por outro lado, traz a dificuldade mozartiana, e é desafiadora por demandar um maior esforço dos músicos”, diz.
À parte as duas peças, a criação de Elgar se sobressai pela serenidade – o termo “serenata”, vale dizer, vem do italiano “sereno”, calmo, tranquilo. “Elgar escreveu muito bem obras para cordas. Particularmente nessa obra, que ele escreveu para a esposa, o que se destaca é o movimento central, bastante vagaroso, característica de vários de seus trabalhos. É uma música muito transparente, não exatamente a transparência de Mozart, mas ainda assim tipicamente de Elgar”, ressalta.
Perfil
Nascido em Istambul, filho de pais armenos, Narhun Arman realizou seu primeiro recital aos 13 anos. Prosseguiu sua carreira nos Estados Unidos, mais tarde emigrando para o Canadá. Lá, ele fundou a Sinfonia Toronto, hoje considerada a mais importante orquestra de câmara de Toronto. Arman, que chega a Manaus após reger concertos em Moscou, se diz ansioso por se apresentar no Teatro Amazonas. “Vi o teatro, é uma joia, um espaço realmente único”, comenta ele, que se surpreende com o clima local. “Cheguei em Toronto de Moscou e só tive tempo de trocar as roupas para vir. Saí de um clima de 15º C negativos, e aqui são mais de 30º C! Estou usando shorts!”, brinca.